Blog do grupo que atua na relação entre Arte e Política com foco no Direito à Memória, Verdade e Justiça e à democratização da comunicação

Arquivo para novembro, 2011

Repercursões

1) Matéria no Centro de Mídia Independente: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/11/500663.shtml

2) “Esses Aparecidos Políticos não estão pra brincadeira não.”- Sandra Helena de Souza, Professora de Filosofia e Ética. Quando do comentário a respeito da reportagem no Jornal O POVO.

3) CONVITE – Nesse sábado, a partir das 16h, todos estão convidados a ocuparem a praça do Preso Político Desaparecido. Na ocasião, terá troca de livros, exibição de vídeos, e atividades artísticas,etc. Estão todos/as convidados/as.


Matéria no Jornal O POVO

Evento relembra 23º BC como “espaço de tortura”

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26.11.2011| 15:00

Grupo renomeia praça com "rebatismo popular" (EDIMAR SOARES)

Grupo renomeia praça com “rebatismo popular” (EDIMAR SOARES)

Paralelo ao evento do 23º BC, do lado de fora da unidade militar, membros do grupo Aparecidos Políticos se mobilizaram junto com antigos presos políticos na praça General Sampaio, que, segundo eles, está abandonada há mais de dois anos. “Nós pensamos em relembrar e viver com esse local (o 23º BC) como espaço de tortura”, explicou o membro do grupo, o psicólogo Alexandre Mourão, 27.

A ação dos manifestantes rebatizou o espaço como Praça do Preso Político Desaparecido, colocando um manequim com o rosto coberto simbolizando os torturados e uma placa, fazendo alusão ao novo nome dado após o “rebatismo popular”, explicou Mourão. Ele acrescentou que a ação tem o intuito de “relembrar e viver esse passado”.

Junto com o grupo estava o presidente da Associação 64/68, Mário Albuquerque, que adjetivou a ação como “extraordinária”, explicando que o “esquecimento é extremamente prejudicial na construção da democracia no Brasil”. Ao ser questionado pelo O POVO sobre a mobilização, o general Torres de Melo disse se tratar de uma “palhaçada”.

Em: http://www.opovo.com.br/app/opovo/radar/2011/11/26/noticiaradarjornal,2343623/evento-relembra-23-bc-como-espaco-de-tortura.shtml#.TtPX0-czE1A.facebook


Das palavras arrancadas


 Nós concordamos com os militares…Relembrar é viver!

Relembrar….

Quanto peso carrega essa palavra? Quantas vozes são necessárias para dizê-la? Quantos anos são suficientes para exprimi-la da forma que mais convém?

Nós lembramos daquilo que não nos disseram e que não apontaram, das palavras que se perderam no engasgar das sílabas dos nossos pais e avós daquela década, na tremida do olhar dos nossos tios daqueles anos e no balbuciar preocupado dos mais velhos:

É passado. Está resolvido. Ponto final?

É futuro. É revanche. Ponto de Exclamação?

Sim, lembramos! Lembramos da maneira como se tentou e tenta escrever essa história cheia de frases distoantes que insistem em por um ponto final em algo que…está morto?

Anistia? Re-democratização? Justiça de Transição? Memória? Verdade?

E então essas vozes antes engasgadas, perdidas, balbuciadas e preocupadas deram margem aos poucos a algo que até então não dávamos importância: o direito de dizê-las, de exprimí-las, de tomá-las da mesma maneira como aquele ditado latino em que diz: “Os direitos se tomam, não se pedem; Se arrancam, não se mendigam” . Será que o mesmo poderia ser dito a respeito das palavras?

Hoje, aqui, em mais um desses dias em que conseguimos articular discursos não apenas em verbos soltos, mas nos nossos corpos, nas nossas ideias e nas nossas visualidades: nos relembramos as palavras que não foram ditas, os corpos que foram silenciados, os gritos que foram abafados e o pulsar que não terminou.

E o pulsar são os corações dos mortos e desaparecidos políticos que ainda batem enterrados nas terras humidecidas e cercadas de veias abertas que sangram o anonimato.

Batem lá longe, onde talvez não se pode ouvir. Mas batem sobretudo, lá no fundo, em nossas células-corações que são, antes de tudo, parte deles.

Mortos e Desaparecidos Políticos, somos Aparecidos Políticos

 Escrita e lida no dia do Rebatismo Popular da Praça do Preso Político Desaparecido na Av. 13 de maio, em frente ao Quartel do 23 Batalhão de Caçadores que foi palco de inúmeras torturas na Ditadura Militar. (em Fortaleza-CE, Brasil).

Os Aparecidos Políticos, 26 de Novembro de 2011



Intervenção Urbana pelo Ar no Manifesta!

Dentro da programação do Manifesta! os Aparecidos Políticos apresentou um trabalho intitulado “Intervenção Urbana pelo Ar” com objetivo de fazer uma ação urbana midiática a partir de uma perspectiva de arte ativista com dois focos de atuação: o direito à memória e à verdade (questionando aspectos sombrios e não revelados da Ditadura Civil-militar brasileira), e consequentemente,  a democratização dos meios de comunicação (a partir da subversão desses meios).

A intervenção foi feita a partir da transmissão dos nomes dos 140 desaparecidos políticos algumas vezes e a transmissão do relato de uma militante torturada na frequência FM 103,5 em um raio de aproximadamente 2km.

Além da intervenção na rádio, tivemos bate-papos (Disponíveis pra download) com:

Júlia Limaverde, uma das organizadoras do Manifesta, comentou sobre como foi o processo de organização do encontro, um espaço que se pretende ir além do evento e também de discussão de políticas públicas para a arte; Comentou também um pouco sobre a relação com o Massafeira realizado em 1973. Baixe aqui: http://chiapas.indymedia.org/local/webcast/uploads/_wma_/179600_entrevista_com_julia_limaverde_-_produtora_massafeira.wma

Sal, artista e filho de preso político comentou sobre seu trabalho que estava em exposição no mesmo local donde fazíamos a transmissão. Sel também deu alguns relatos da sua vivência com arte e as possibilidades de articulação dessa com a política. Baixe aqui: http://chiapas.indymedia.org/local/webcast/uploads/_wma_/179602_conversa_com_sel_parte_1.wma

Julião do coletivo Baião Ilustrado comentou sobre o trabalho que estava sendo apresentado no Dragão do Mar.
Baixe aqui: http://chiapas.indymedia.org/local/webcast/uploads/_wma_/179601_entrevista_bai_o_ilustrado.wma
Jaime Carimbé, militante comunista e ex-motorista de Luis Carlos Prestes em 1963, deu uma relato forte sobre sua vida. Acompanhou de perto o golpe militar e fez uma análise da situação, inclusive no Ceará. Baixe aqui: http://chiapas.indymedia.org/local/webcast/uploads/_wma_/179603_converrsa_com_jaime_carimb_.wma

Agradecemos e parabenizamos a organização do Massafeira! nesse importante espaço de articulação da arte contemporânea no Ceará.

Sobre Os Aparecidos Políticos:

Têm como proposta trabalhar a partir de uma perspectiva de relação entre a arte e política. Ou seja, colocamos-nos naquilo que se entende por arte ativista.

Entendemos a arte enquanto um processo e uma convivência com um exercício da polêmica acerca das configurações da vida em sociedade, seus novos recortes e as novas regras que as sustentam. Entendemos a arte enquanto uma atividade política, observando que: “a resistência da obra não é o socorro que a arte presta à política. Ela não é a imitação ou antecipação da política pela arte, mas propriamente a identidade de ambas. A arte é política”. (Ranciere)


Os Aparecidos Políticos no II Manifesta

O ManiFesta! Festival das Artes traz a proposta de promover a transversalidade das artes e o intercâmbio entre as diferentes linguagens, agregando a classe artística contemporânea cearense e fomentando reflexões acerca da produção cultural atual. Ao firmar-se no calendário anual, o festival se apresenta como um movimento de amostragem, uma janela sempre aberta para exibir a diversidade da produção artística cearense.

Os Aparecidos Políticos irão se apresentar com o projeto Intervenção Urbana pelo Ar.

Programação Completa:

http://www.manifestafestival.art.br/programacao/confira-aqui-a-programacao-artistica-completa-do-ii-manifesta-festival-das-artes

Site do ManiFesta